William Branham e o Fim do Mundo
No final da década de 40, nos EUA, deu-se início à chamada segunda onda do movimento pentecostal, liderado em sua maioria por igrejas independentes. Foi um período do pentecostalismo que sofreu grande influência da situação política, econômica e social dos EUA, que estavam enfrentando ameaças de perigos iminentes vindos das forças inimigas da União Soviética durante a Guerra Fria. Fazia parte do imaginário popular que a qualquer momento poderia acontecer a explosão de uma bomba enviada pelos russos. Filmes e histórias foram contados com essa temática, sempre colocando os soviéticos como inimigos que poderiam destruir a América num minuto. Dessa forma, não foi diferente no que diz respeito às igrejas nesse período. Era comum entre os pentecostais e também em seitas religiosas pregações sensacionalistas a respeito do fim do mundo. Se analisarmos as Escrituras encontraremos que guerras e rumores de guerras são um sinal de que a vinda de Cristo está próxima. Porém, entre os pentecostais, criou-se o hábito de fazer predições com datas exatas do fim dos tempos.
1954: a primeira previsão
William Branham participou ativamente do movimento pentecostal durante a segunda onda. Ele foi um dos principais ministros do evangelho e pregador da cura. Além disso, assim como outros antes dele, também se autodenominou profeta e previu o fim do mundo por várias vezes.
Branham também seguiu a linha dos demais ministros pentecostais e suas pregações eram recheadas de sensacionalismo sobre o fim dos tempos. Se lermos qualquer literatura do "profeta" durante esse período, será comum encontrarmos afirmações sobre uma bomba atômica enviada pelos russos, ou invasões comunistas que estariam ocorrendo, ou também sobre o voto feminino que levaria a América à desgraça. Ele chegou até a afirmar que os russos seriam os responsáveis pela destruição da Igreja Católica.
Na mensagem A Marca da Besta, usando associações numéricas entre a Bíblia e eventos na história, Branham afirma que o fim dos tempos ocorreria em 1954, conforme abaixo:
54-0513 - "A Marca da Besta"
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Em 1954, Branham também afirmou que cientistas haviam predito a aniquilação total do mundo em 10 anos.
54-0301 - "O Anjo da Aliança"
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A. A. Allen foi um evangelista norte-americano que também surfou nessa onda pentecostal de previsão do fim dos tempos. Em 1954, ele alegou ter recebido uma visão quando estava visitando o Empire State Building em Nova York. Na visão, Deus teria mostrado a ele que a América seria explodida por várias bombas até se tornar uma desolação.
1962: a vinda de Cristo em apenas alguns meses
62-0518 - "Deixando Escapar a Pressão"
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Foi exatamente essa onda repentina de profetas, curandeiros da fé e previsões do fim dos tempos que chamaria a atenção de um grupo de homens em Battleford, Saskatchewan, que entenderam que essa seria a fórmula perfeita para uma nova geração de pentecostais em um movimento que ficou conhecido como Chuva Serôdia (Latter Rain).
1977: a última previsão
Durante vários sermões, Branham deixou a entender que Cristo voltaria a qualquer momento e o milênio seria estabelecido. Poderia ter sido em 1954, mas não foi. Poderia ter sido em algum mês durante o ano de 1962, também não foi. Apesar disso, em 1960, Branham já havia afirmado pela primeira vez em sermões gravados que teria tido uma visão em 1933 de que a América estaria em escombros e crateras e que isso ocorreria até 1977.
17 - E lá embaixo eu disse: "Não em transe, mas, eu prevejo", lembre-se disso, acho que isso também está gravado, "eu prevejo que essas coisas acontecerão entre agora, 1933, e 1977." O que nos dará mais dezesseis anos se minha previsão estiver correta."
60-1125 - "Conferência"
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Suas previsões partiam de cálculos baseados em numerologias esotéricas, principalmente do calendário judaico, para chegar a números aleatórios.
61-0806 - "A Septuagésima Semana de Daniel"
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Ele também chegou a citar o "assim diz o Senhor" em um sermão gravado enquanto contava sobre a visão.
204 - E eu disse: "Eu vi, parecia que havia tocos queimando; pedras, explodidas; e todos os Estados Unidos pareciam nus, deitados assim, até onde eu podia ver de onde eu estava." E eu disse: "Eu prevejo, de acordo com a forma como o tempo está se movendo, será em algum momento entre este ano de 33 e 77." E terá que apertar muito forte para passar por lá. E estamos nos preparando para um barril de pólvora, amigos. Tudo pronto.
60-1208 - "A Era da Igreja de Tiatira"
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Em 1965, no livro Uma Exposição das Eras da Igreja, Branham traz essa previsão de forma mais detalhada, explicando que estaria debaixo de uma inspiração divina, porém que não estava profetizando.
Uma Exposição das Eras da Igreja, Capítulo 9.
Alguns pontos que precisamos ressaltar aqui:
1. Branham foi irresponsável sim ao afirmar sua predição, tendo em vista que muitos antes dele tinham falhado ao fazer o mesmo. William Miller, fundador da igreja do advento do sétimo dia, ainda no século XIX, já estava fazendo predições sobre a volta de Cristo e o estabelecimento do milênio. Caso que ficou conhecido como o grande desapontamento.
2. O chamado profeta afirmou que não profetizava, mas estava fazendo uma predição por inspiração divina, o que é, por assim dizer, a exata definição do que é uma profecia.
3. Ele também afirmou que Cristo não disse que não poderíamos saber o ano ou a semana de sua vinda, o que é um argumento no mínimo infantil. Basta uma leitura do contexto do texto a que ele se refere, que chegamos à conclusão óbvia de que Cristo está afirmando que ninguém sabe quando a vinda ocorrerá, nem o próprio Filho do Homem. Segundo Branham, Jesus e os anjos não sabem o dia nem a hora, mas profetas poderiam adivinhar o ano e a semana? Definitivamente, isso não está no texto. Jesus não está em momento algum dando brechas para adivinhações.
4. A visão sobre a destruição dos EUA até 1977 é muito parecida com a visão que o evangelista A. A. Allen teve em 1954.
Branham acabou causando outro grande desapontamento quando, em 1977, não ocorreu a Parusia e muito menos o estabelecimento do milênio. Após isso, Billy Paul alegou que seu pai tinha feito os cálculos errados, e o resultado certo seria 1987. Até então, todos os crentes da mensagem acreditavam que essa predição era uma profecia. Quando Cristo não veio pela segunda vez, chegaram à conclusão de que não era uma profecia, mesmo que tenha sido dada por inspiração divina. Todos os que entraram na mensagem de 1987 em diante aprendem assim até hoje.
Conclusão:
Analisando a linha do tempo do ministério de Branham, suas reivindicações de profeta, suas visões e profecias, o contexto cultural, político e religioso em que ele estava inserido, não ficamos admirados quando ele alega ter tido uma visão sobre o fim do mundo e fez cálculos para adivinhar a data. Era uma tendência no protestantismo norte-americano durante a Guerra Fria, principalmente em seitas que vieram do movimento pentecostal.
Será que precisamos de profetas para nos avisar que o fim do mundo está próximo, tendo em vista que Cristo e os apóstolos já chamaram a atenção da igreja para este fato? Assim como não precisamos de profetas para isso, também não precisamos de adivinhações baseadas em numerologia, já que o próprio Cristo afirmou que ninguém tem o conhecimento de quando será. O pedido do mestre é que estejamos atentos aos sinais apenas para estarmos prontos, seja qual for a época em que estamos vivendo.