William Branham, Mussolini e suas profetadas vergonhosas
William Branham tem Mussolini como fundamental em uma de suas supostas visões proféticas que supostamente teria sido entregue a ele, apesar dele ter as ditas décadas depois dos eventos terem acontecido, mesmo assim ele erra historicamente vários dos elementos que ele teria trazido como inspiração profética, vamos aos exemplos, e dessa vez será as profetadas sobre o ditador italiano Benito Mussolini:
60-1113 - Condemnation By Representation
Rev. William Marrion Branham (App The Table Gravações a Voz de Deus)
Veja, nem entraremos no mérito da afirmação de que o presidente Roosevelt "levou o mundo à guerra", sendo que foi Hitler quem invadiu a Polônia em 1939, marcando o início da Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos só entraram no conflito em dezembro de 1941, após o ataque do Império Japonês a Pearl Harbor. Deixaremos essa profetada de lado, e desta vez focaremos apenas nas declarações de Branham sobre Mussolini. [1] [2] 1. Mussolini como “novo ditador da Itália” — Profetada! Benito Mussolini chegou ao poder em 1922, após a famosa Marcha sobre Roma , Branham acreditava que Mussolini teria tomado o poder em 1933 segundo vários sermões que ele mesmo prega: [3]
55-0501E - The Faith That Was Once Delivered To The Saints
Rev. William Marrion Branham (App The Table Gravações a Voz de Deus)
53-0326 - Israel And The Church #2
Rev. William Marrion Branham (App The Table Gravações a Voz de Deus)
Veja, esse sermão foi pregado em 1953, 20 anos atrás seria 1933, ele acreditava sob suposta inspiração profética que Mussolini não havia tomado o poder ainda e após isso ele invadiria a Etiópia e essa seria sua primeira invasão, vemos isso conforme este sermão:
61-0312 - Jehovah-Jireh
Rev. William Marrion Branham (App The Table Gravações a Voz de Deus)
Como mencionado, Mussolini já havia chegado ao poder em 1922 e, a partir de 1925, consolidou-se como ditador, abolindo liberdades civis e partidos opositores, você pode conferir isso segundo a própria Enciclopédia Britânica no artigo “Como Benito Mussolini chegou ao poder?” [4]
“Em 1925, Mussolini desmantelou as instituições democráticas da Itália e assumiu seu papel de ditador, adotando o título Il Duce (“O Líder”).” - Enciclopédia Britânica
Quando Branham diz ter supostamente profetizado esses eventos (1933), Mussolini já estava há 10 anos no poder, já era ditador desde 1925, então não havia com ser um “novo ditador”, o regime fascista já estava consolidado na Itália. Inclusive já realizando políticas imperialistas e expansionistas. 2 - “Sua primeira invasão será à Etiópia” – Profetada!
Não, sua primeira invasão não foi a Etiópia, antes ele invadiu uma ilha da Grécia que ficaria conhecida como Ocupação da ilha de Corfu (1923), após o assassinato de um general italiano na Grécia, Mussolini ordenou a ocupação militar da ilha de Corfu, em agosto de 1923. Houve bombardeio, desembarque de tropas e exigência de reparações. A Itália só se retirou após intervenção da Liga das Nações. [5] 3 – Segunda Guerra ítalo-Senussi (anos 1923-1932) A Líbia era colônia italiana desde 1911, mas o regime fascista impôs políticas violentas contra a resistência Líbia. Estima-se que dezenas de milhares de líbios foram mortos em campanhas de “pacificação”. Houve campos de concentração, deslocamentos forçados e execuções públicas décadas antes da Etiópia, Mussolini intensificou a invasão na Líbia. [6] Branham errou ao dizer que a Etiópia foi “a primeira invasão” de Mussolini. Isso é historicamente falso. O fascismo já era agressivo e expansionista desde os anos 20, mais uma profetada, pois Branham disse isso sob suposta inspiração divina. 4 - “Ele tomará a Etiópia, mas essa será a última. Ele chegará ao seu fim” — Profetada!
A Etiópia foi invadida pela Itália em 3 de outubro de 1935, e conquistada em maio de 1936. Foi de fato um evento marcante, e na época era sabido que isso aconteceria, mas não entraremos nesse mérito, a questão é: não foi a última investida militar de Mussolini.
Invasão da Albânia (1939) Em abril de 1939, a Itália fascista invadiu e anexou a Albânia, estabelecendo um “protetorado”, protetorado é um nome bonito para área territorialmente e politicamente dominadas por outro país. [7] Lembrando que Branham disse todas essas coisas sob suposta inspiração divina, logicamente, profecias são infalíveis pois vem de Deus que nunca erra, e claramente há erros históricos grotescos nessas visões proféticas, caracterizando-as como famosas: Profetadas! O teste do verdadeiro profeta segundo as Sagradas Escrituras:
“Quando tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou o tal profeta; não tenhas temor dele.” - Dt 18:22
Branham atribuiu suas palavras a Deus; errou em vários pontos centrais; não cumpriu o critério bíblico da infalibilidade profética. Esse episódio compromete não apenas sua credibilidade pessoal, mas também o fundamento de sua autoridade espiritual enquanto “profeta” de Deus. Como cristãos, devemos aplicar o crivo das Escrituras (1 Tessalonicenses 5:21: “Examinai tudo. Retende o bem.”) e da história para discernir o falso do verdadeiro. Se Branham falhou nessa profecia pública e verificável, por que confiar em suas profecias invisíveis e doutrinas particulares? Quem mente no “pouco”, mente no muito!
REFERÊNCIAS
[1] - Enciclopédia Britânica - Segunda Guerra Mundial - https://www-britannica-com.translate.goog/event/World-War-II
[2] - Enciclopédia Britânica - Ataque a Pearl Harbor - https://www.britannica.com/event/Pearl-Harbor-attack
[3] Enciclopédia Britânica - Marcha Sobre Roma - https://www.britannica.com/event/March-on-Rome
[4] Enciclopédia Britânica - Como Benito Mussolini chegou ao poder? - https://www.britannica.com/question/How-did-Benito-Mussolini-rise-to-power
[5] Enciclopédia Britânica - Ocupação da Ilha de Corfu - https://www.britannica.com/event/Corfu-incident
[6] Enciclopédia Britânica - História da Líbia - https://www.britannica.com/place/Libya/History
[7] Wikipédia - Invasão a Albânia - https://en.wikipedia.org/wiki/Italian_invasion_of_Albania