Um fascínio por águias!

Para alguém nascido na seita A Mensagem , é comum a familiarização com as histórias de William Branham sobre águias. Branham gostava dessas aves e, além de contar histórias, também relatava experiências que dizia ter tido com elas, usando-as como analogias para reforçar seus próprios ensinos. A seguir, analisaremos algumas citações.

A águia carregando filhotes nas asas:

Branham conta que, em uma de suas viagens de caça no Colorado, região centro-oeste dos EUA, observava por meio de binóculos uma águia e seus filhotes. Segundo ele, um grande estrondo se ouviu nos céus, anunciando a aproximação de uma tempestade. Então, a águia teria voado para um vale em busca de seus filhotes. Ao encontrá-los, os pequenos teriam saltado sobre suas asas, agarrando-se com pés e bicos, enquanto ela voava para um abrigo na rocha, enfrentando ventos de 96 quilômetros por hora.

132, 133 - “Aquela velha mãe pousou ali, farejou a tempestade por um instante, abriu suas grandes asas, soltou um grito estrondoso e desceu para o vale. Quando chegou lá embaixo, abriu suas grandes asas, deu um grito estrondoso e todas as pequenas águias correram e pularam direto na asa da mãe, agarraram seus pezinhos nas penas, colocaram seus biquinhos e se prenderam nelas, e aquelas grandes asas começaram a se mover. Quando abriu suas grandes asas, começou a subir, bem de frente para o vento. E eles conseguiam perfurar o vento que soprava a 96 quilômetros por hora, e aquelas pequenas águias agarradas àquela asa, ela foi direto para o buraco na rocha.”

60-0802 — El-Shaddai
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Branham repetiu essa história em diversas pregações, comparando os cuidados da águia com seus filhotes aos cuidados de Deus para com Seus filhos. Tornou-se comum, entre seus seguidores, o termo “mãe águia” para se referir a Jeová, já que ele fez essa comparação inúmeras vezes.

A questão é que podemos duvidar totalmente de que o suposto profeta tenha realmente visto uma águia carregando filhotes em suas asas — algo impossível, ainda mais a 96 km/h. Rod Bergen, ex-membro da Mensagem, consultou três ornitólogos (cientistas que estudam aves) sobre o assunto. Todos afirmaram que tal comportamento nunca foi observado na natureza. Uma águia não poderia carregar filhotes nas asas, pois isso, baseado em princípios aerodinâmicos, a impediria de voar. Além disso, águias constroem ninhos altos justamente para manter os filhotes longe de predadores; portanto, uma águia voando para um vale em busca dos filhotes para depois carregá-los até uma rocha não corresponde a um comportamento típico dessa ave.

Branham era tão impreciso acerca do comportamento das águias que chegou a afirmar que nem os aviões voariam tão alto quanto elas.

55 - “E a águia é a que vai mais alto de todos. Ela pode ir mais alto do que qualquer outro pássaro. Nada pode segui-la. Ora, eu duvido se um avião pudesse chegar até ela…”

61-2201 Como a águia agita seu ninho
Tradução Goiânia-GO

Deus compara seus profetas à águias:

Outro ensino típico da Mensagem é a forte comparação que Branham fazia entre profetas e águias. O argumento usado é que os profetas “enxergam longe”, assim como as águias enxergam com precisão.

63 - “Agora, estes profetas, quando eles chegam ali em cima, sobem tão alto onde outros pássaros de inteligência não podem ver. Em primeiro lugar eles não conseguiriam subir ali, mas Deus disse que Seus profetas eram suas águias…”

61-0122 Como a águia agita seu ninho
Tradução Goiânia-GO
119 - “Você sabe, o próprio Jeová é uma águia, e Ele nos chama filhotes de águia. Seus profetas são águias, videntes”.

64-0620B Quem é Jesus?
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Embora Branham insista nesse ensino, não há nenhum versículo bíblico que o sustente. O que encontramos nas Escrituras é que a águia era considerada um animal impuro segundo a Lei mosaica. Branham gostava de diferenciar águias de urubus e corvos, mas Levítico e Deuteronômio colocam a águia junto desses animais como impuros e impróprios para consumo.

“Estas são as aves que vocês considerarão impuras, das quais não poderão comer porque são proibidas: a águia, o urubu, a águia-marinha, o milhafre, nenhuma espécie de falcão, nenhuma espécie de corvo…” Levítico 11:13-15 (NVI)

Não existe nenhum versículo em que Deus compare a Si mesmo com uma águia. Porém, há uma passagem em que Cristo se compara a uma galinha cuidando de seus pintinhos.

“...Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos como a galinha reúne seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram.” Mateus 23:37 (NVI)

Em Isaías 40:31 encontramos a figura de “voar como águias”, mas o texto claramente usa imagens paralelas (“correm e não se cansam; andam e não se fatigam”), mostrando que o versículo não pretende exaltar a águia como símbolo exclusivo, e sim expressar força renovada.

Como vimos, não há base bíblica para a forma como Branham tenta associar Deus, profetas e águias. Se esse fascínio não vem da Escritura, de onde vem?

Águia, um forte símbolo da maçonaria americana:

Apesar da insistência de Branham em cristianizar a figura da águia, essa ave sempre esteve profundamente ligada a culturas pagãs. No Império Romano, representava o deus-sol Júpiter, figurando nos estandartes militares como símbolo de expansão, alcance e domínio.

A águia também é um dos principais símbolos da Maçonaria americana. A República dos EUA foi fundada inspirando-se, em grande medida, no modelo da antiga República Romana. Os pais fundadores acreditavam que os romanos possuíam, antes do período imperial, um sistema republicano que preservou por séculos a liberdade individual do povo — um modelo marcado pela supremacia do Senado, composto por famílias aristocráticas. Um dos pais fundadores foi Benjamin Franklin, líder da Revolução Americana e um dos grandes dignitários e unificadores da maçonaria nos Estados Unidos.

É relevante notar que Branham tinha vínculos profundos com o ambiente maçônico — não apenas por amizades, mas também por laços familiares. O próprio William Branham afirmou ter realizado cultos dentro de uma loja maçônica, depois que a igreja Batista Pentecostal onde congregava (e onde foi pastor auxiliar) sofreu um incêndio. Seu pastor na época era líder da Ku Klux Klan em Jeffersonville e também frequentava uma loja chamada A Ordem da Estrela Oriental . Não faltam declarações do chamado profeta demonstrando simpatia aberta à maçonaria.

200 - “Agora, em 1933, quando estávamos adorando aqui no templo maçônico, onde hoje fica a igreja de Cristo…”

61-0806 As Setenta Semanas de Daniel
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É importante entender que não se entra em uma loja maçônica como quem entra em uma loja de shopping . Especialmente falando da maçonaria americana das décadas de 1930 em diante, o acesso era extremamente restrito. Para Branham ter essa liberdade, restam duas hipóteses: ou ele fazia parte de alguma ordem, ou conhecia maçons de influência suficiente para permitir sua entrada. Ambas são possíveis — e plausíveis.

66 - “Você sabe, um maçom reconhece um maçom quando fala com ele. E lojas diferentes são conhecidas por sinais diferentes. O cristão também”.

59-0424 A fé de Abraão
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182 - “Irmão Branham, existe alguma coisa errada em pertencer a uma loja após tornarmos um cristão, tal como os maçons? Não, senhor! Você é um cristão seja onde for que você estiver”.

61-1015M Perguntas e Respostas, pergunta nº 162
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103 - “Todo o meu povo é maçom e, agora, eles são bons como loja, mas não substituirão a Igreja.”

61-0414 Não temas, Sou Eu
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Com essas declarações, fica claro que Branham não era apenas um simpatizante distante, mas alguém engajado e muito próximo de ambientes maçônicos, dando fortes indícios de que também pertencia a uma ordem.

Conclusão:

A conclusão mais razoável é que o fascínio de Branham por águias está profundamente ligado ao seu envolvimento com pessoas associadas à maçonaria — e com grande probabilidade, ao fato de ele mesmo ter pertencido a uma loja. Essa probabilidade aumenta quando observamos que outros símbolos maçônicos também eram amplamente utilizados por ele, como a pirâmide e o “olho que tudo vê”, que Branham chegou a identificar como o “olho de Deus” no sermão O Futuro Lar do Noivo Celestial e da Noiva Terreal .

Somando tudo, fica evidente que Branham desconhecia o comportamento real das águias e que suas analogias não possuem respaldo bíblico. Ao contrário do que afirmava, ele criou imagens religiosas a partir de símbolos externos à fé cristã — e muitas vezes contrários a ela.

“Não devemos afirmar de Deus senão aquilo que Ele próprio revelou ”. Tomás de Aquino Suma Teológica I

Escrito por:

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Referências:

Bergen, Rod. Por trás da Coluna de Fogo: examinando o legado de William Branham. 2025.

William Branham e os maçons. Believe the sign, 2015. Disponível em https://en-believethesign-com.translate.goog/index.php?title=William_Branham_and_the_Freemasons&_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt-br&_x_tr_hl=pt-br

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