Um fascínio por águias!
Para alguém nascido na seita A Mensagem , é comum a familiarização com as histórias de William Branham sobre águias. Branham gostava dessas aves e, além de contar histórias, também relatava experiências que dizia ter tido com elas, usando-as como analogias para reforçar seus próprios ensinos. A seguir, analisaremos algumas citações.
A águia carregando filhotes nas asas:
Branham conta que, em uma de suas viagens de caça no Colorado, região centro-oeste dos EUA, observava por meio de binóculos uma águia e seus filhotes. Segundo ele, um grande estrondo se ouviu nos céus, anunciando a aproximação de uma tempestade. Então, a águia teria voado para um vale em busca de seus filhotes. Ao encontrá-los, os pequenos teriam saltado sobre suas asas, agarrando-se com pés e bicos, enquanto ela voava para um abrigo na rocha, enfrentando ventos de 96 quilômetros por hora.
60-0802 — El-Shaddai
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Branham repetiu essa história em diversas pregações, comparando os cuidados da águia com seus filhotes aos cuidados de Deus para com Seus filhos. Tornou-se comum, entre seus seguidores, o termo “mãe águia” para se referir a Jeová, já que ele fez essa comparação inúmeras vezes.
A questão é que podemos duvidar totalmente de que o suposto profeta tenha realmente visto uma águia carregando filhotes em suas asas — algo impossível, ainda mais a 96 km/h. Rod Bergen, ex-membro da Mensagem, consultou três ornitólogos (cientistas que estudam aves) sobre o assunto. Todos afirmaram que tal comportamento nunca foi observado na natureza. Uma águia não poderia carregar filhotes nas asas, pois isso, baseado em princípios aerodinâmicos, a impediria de voar. Além disso, águias constroem ninhos altos justamente para manter os filhotes longe de predadores; portanto, uma águia voando para um vale em busca dos filhotes para depois carregá-los até uma rocha não corresponde a um comportamento típico dessa ave.
Branham era tão impreciso acerca do comportamento das águias que chegou a afirmar que nem os aviões voariam tão alto quanto elas.
61-2201 Como a águia agita seu ninho
Tradução Goiânia-GO
Deus compara seus profetas à águias:
Outro ensino típico da Mensagem é a forte comparação que Branham fazia entre profetas e águias. O argumento usado é que os profetas “enxergam longe”, assim como as águias enxergam com precisão.
61-0122 Como a águia agita seu ninho
Tradução Goiânia-GO
64-0620B Quem é Jesus?
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Embora Branham insista nesse ensino, não há nenhum versículo bíblico que o sustente. O que encontramos nas Escrituras é que a águia era considerada um animal impuro segundo a Lei mosaica. Branham gostava de diferenciar águias de urubus e corvos, mas Levítico e Deuteronômio colocam a águia junto desses animais como impuros e impróprios para consumo.
“Estas são as aves que vocês considerarão impuras, das quais não poderão comer porque são proibidas: a águia, o urubu, a águia-marinha, o milhafre, nenhuma espécie de falcão, nenhuma espécie de corvo…” Levítico 11:13-15 (NVI)
Não existe nenhum versículo em que Deus compare a Si mesmo com uma águia. Porém, há uma passagem em que Cristo se compara a uma galinha cuidando de seus pintinhos.
“...Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos como a galinha reúne seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram.” Mateus 23:37 (NVI)
Em Isaías 40:31 encontramos a figura de “voar como águias”, mas o texto claramente usa imagens paralelas (“correm e não se cansam; andam e não se fatigam”), mostrando que o versículo não pretende exaltar a águia como símbolo exclusivo, e sim expressar força renovada.
Como vimos, não há base bíblica para a forma como Branham tenta associar Deus, profetas e águias. Se esse fascínio não vem da Escritura, de onde vem?
Águia, um forte símbolo da maçonaria americana:
Apesar da insistência de Branham em cristianizar a figura da águia, essa ave sempre esteve profundamente ligada a culturas pagãs. No Império Romano, representava o deus-sol Júpiter, figurando nos estandartes militares como símbolo de expansão, alcance e domínio.
A águia também é um dos principais símbolos da Maçonaria americana. A República dos EUA foi fundada inspirando-se, em grande medida, no modelo da antiga República Romana. Os pais fundadores acreditavam que os romanos possuíam, antes do período imperial, um sistema republicano que preservou por séculos a liberdade individual do povo — um modelo marcado pela supremacia do Senado, composto por famílias aristocráticas. Um dos pais fundadores foi Benjamin Franklin, líder da Revolução Americana e um dos grandes dignitários e unificadores da maçonaria nos Estados Unidos.
É relevante notar que Branham tinha vínculos profundos com o ambiente maçônico — não apenas por amizades, mas também por laços familiares. O próprio William Branham afirmou ter realizado cultos dentro de uma loja maçônica, depois que a igreja Batista Pentecostal onde congregava (e onde foi pastor auxiliar) sofreu um incêndio. Seu pastor na época era líder da Ku Klux Klan em Jeffersonville e também frequentava uma loja chamada A Ordem da Estrela Oriental . Não faltam declarações do chamado profeta demonstrando simpatia aberta à maçonaria.
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É importante entender que não se entra em uma loja maçônica como quem entra em uma loja de shopping . Especialmente falando da maçonaria americana das décadas de 1930 em diante, o acesso era extremamente restrito. Para Branham ter essa liberdade, restam duas hipóteses: ou ele fazia parte de alguma ordem, ou conhecia maçons de influência suficiente para permitir sua entrada. Ambas são possíveis — e plausíveis.
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Com essas declarações, fica claro que Branham não era apenas um simpatizante distante, mas alguém engajado e muito próximo de ambientes maçônicos, dando fortes indícios de que também pertencia a uma ordem.
Conclusão:
A conclusão mais razoável é que o fascínio de Branham por águias está profundamente ligado ao seu envolvimento com pessoas associadas à maçonaria — e com grande probabilidade, ao fato de ele mesmo ter pertencido a uma loja. Essa probabilidade aumenta quando observamos que outros símbolos maçônicos também eram amplamente utilizados por ele, como a pirâmide e o “olho que tudo vê”, que Branham chegou a identificar como o “olho de Deus” no sermão O Futuro Lar do Noivo Celestial e da Noiva Terreal .
Somando tudo, fica evidente que Branham desconhecia o comportamento real das águias e que suas analogias não possuem respaldo bíblico. Ao contrário do que afirmava, ele criou imagens religiosas a partir de símbolos externos à fé cristã — e muitas vezes contrários a ela.
“Não devemos afirmar de Deus senão aquilo que Ele próprio revelou ”. Tomás de Aquino Suma Teológica I
Escrito por:
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Referências:
Bergen, Rod. Por trás da Coluna de Fogo: examinando o legado de William Branham. 2025.
William Branham e os maçons. Believe the sign, 2015. Disponível em https://en-believethesign-com.translate.goog/index.php?title=William_Branham_and_the_Freemasons&_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt-br&_x_tr_hl=pt-br